O mercado imobiliário travou em 2026? O que dizem os números do 1º semestre

Análise do mercado imobiliário no primeiro semestre de 2026: mercado travou ou ficou mais seletivo?

Conversas com proprietários costumam começar da mesma forma neste ano: a impressão de que o mercado parou. Os números do primeiro semestre de 2026 contam uma história diferente, e mais interessante do que “aqueceu” ou “esfriou”.

Os lançamentos ficaram parados. As vendas, não.

No primeiro semestre, foram lançadas 211,6 mil unidades no país, praticamente o mesmo volume do ano anterior — retração de 0,3%. No segundo trimestre isolado, a queda foi de 1,3%.

Só que as vendas foram na direção oposta: cresceram 5,3% no mesmo trimestre.

Quando a oferta nova fica estável e as vendas sobem, o mercado está fazendo uma coisa específica: absorvendo estoque. As incorporadoras seguraram o calendário de lançamentos e concentraram esforço na comercialização do que já estava de pé. Não é sinal de mercado parado. É sinal de mercado cauteloso com a oferta e ativo na demanda.

O crédito melhorou mais do que a percepção

Do lado do financiamento, a mudança foi maior do que se comenta. As concessões pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo chegaram a R$ 67,2 bilhões no primeiro semestre, alta de 12% sobre o mesmo período de 2025.

O salto mais expressivo veio do crédito à produção: as concessões para construção passaram de R$ 12,8 bilhões para R$ 26,5 bilhões, uma expansão de 107%. Isso é reflexo direto da reformulação do modelo de captação do SBPE, que ampliou a capacidade dos bancos de direcionar recursos para habitação.

Na prática, esse crédito ainda não chegou à parcela do comprador com a mesma intensidade — a Selic segue restritiva. Mas ele já chegou ao canteiro de obras, e isso antecede a oferta dos próximos dois anos.

A demanda não sumiu

No segundo trimestre de 2026, 52% dos entrevistados declararam intenção de comprar um imóvel nos próximos 24 meses. Um ano antes, eram 49%. A intenção de compra subiu justamente no período em que muita gente descreveu o mercado como travado.

O dado que realmente incomoda

Há um indicador que explica a distância entre percepção e realidade: o tempo médio para vender unidades de três e quatro quartos subiu de 18,5 para 26 meses.

Repare no que acontece quando os dois movimentos são colocados lado a lado. As vendas crescem. E, ao mesmo tempo, o prazo para vender aumenta. Isso não é contradição — é seleção.

O mercado está comprando. Só não está comprando tudo.

O que separa um imóvel do outro

No médio e alto padrão, os lançamentos vinham pressionados por juros elevados e por custo de obra em alta, com o INCC corroendo margem. Nesse ambiente, o comprador ficou mais criterioso: compara mais praças, pede mais documentação, avalia a solidez da incorporadora e demora mais para decidir.

Esse comprador continua existindo. Ele apenas parou de aceitar três coisas:

  • Preço ancorado em expectativa. O valor que o imóvel teve no melhor momento do ciclo não é o valor de hoje.
  • Apresentação abaixo do padrão do produto. Um imóvel de R$ 3 milhões anunciado com fotos de celular perde antes da visita.
  • Pendência documental. Espólio não resolvido, área construída irregular e ônus na matrícula travam negócios que já estavam fechados.

O que isso significa para quem vai vender

Se o seu imóvel está anunciado há mais de seis meses sem propostas consistentes, o mercado provavelmente não é o problema. O posicionamento é.

Três perguntas ajudam a diagnosticar antes de qualquer decisão de baixar preço:

  1. O valor pedido foi construído a partir de transações comparáveis recentes ou a partir de uma expectativa?
  2. O material de venda — fotos, planta, vídeo, descrição — está no nível do imóvel?
  3. A documentação está pronta para uma escritura, ou vai começar a ser resolvida quando aparecer o comprador?

Corrigir esses três pontos costuma ter mais efeito sobre o prazo de venda do que qualquer desconto.

Na Oliveira & Hatheyer, avaliação de imóvel começa por leitura de mercado, não por chute. Se você está avaliando vender, fale com nossos consultores para uma análise do posicionamento do seu imóvel.

Fontes: Indicadores Imobiliários Nacionais (CBIC/Brain Inteligência Estratégica), Abrainc-Fipe, Abecip.

Gostou do conteúdo? Compartilhe