O tempo médio para vender uma unidade de três ou quatro quartos subiu de 18,5 para 26 meses. É quase um ano a mais no mesmo anúncio, com o mesmo imóvel, muitas vezes com o mesmo preço.
Esse número tem duas leituras possíveis. A primeira é a mais confortável: o mercado está difícil. A segunda é a mais útil: existe um conjunto pequeno e repetido de erros que separa o imóvel que vende em três meses do que fica dois anos parado.
Nossa experiência aponta para cinco.
1. O preço foi construído a partir de uma expectativa
Este é o erro mais comum e o mais caro. Ele quase nunca aparece como “o proprietário quer muito dinheiro”. Aparece assim:
- “Eu paguei X, então não vendo por menos.”
- “O apartamento do vizinho foi anunciado por Y.”
- “Em 2021 valia Z.”
Nenhum desses três é referência de mercado. Preço de compra é história pessoal. Preço de anúncio do vizinho é pedido, não transação. E o valor de um pico de ciclo não descreve o momento atual.
A única referência que funciona é o comparativo de transações efetivamente fechadas em imóveis semelhantes, na mesma região, ajustadas por metragem, andar, posição solar, vaga, estado de conservação e padrão de acabamento.
2. A apresentação está abaixo do padrão do imóvel
Um imóvel de alto padrão anunciado com fotos escuras, sem planta humanizada e com descrição genérica perde o comprador antes da visita. O anúncio é a primeira impressão do produto, e no segmento premium a primeira impressão é o filtro.
Isso significa fotografia profissional com iluminação correta, planta legível, vídeo ou tour virtual e um texto que descreva o imóvel com precisão — sem adjetivo vazio.
3. Não existe curadoria de comprador
Visita não é métrica de sucesso. Trinta visitas sem proposta significam que o imóvel está sendo mostrado para quem nunca compraria.
No alto padrão, o volume não resolve. O que resolve é conseguir descrever quem é o comprador desse imóvel — perfil familiar, motivação de mudança, região de origem, capacidade de pagamento — e ir até ele. Se essa descrição não existe, o imóvel ainda não foi entendido.
4. A documentação começa a ser resolvida depois da proposta
É a causa mais silenciosa de negócio perdido. Espólio não concluído, inventário em andamento, área construída divergente da matrícula, averbação de reforma pendente, ônus real não baixado, débito condominial.
Nada disso impede o anúncio. Tudo isso derruba a negociação no momento em que o comprador leva a documentação ao advogado dele. E derruba do jeito pior: com proposta na mesa e confiança perdida.
Documentação se resolve antes, não durante.
5. O imóvel está em toda parte e em lugar nenhum
Anunciar com dez corretores ao mesmo tempo parece aumentar a exposição. Na prática, costuma produzir o oposto: o mesmo imóvel aparece em dez anúncios com fotos diferentes, descrições diferentes e, às vezes, preços diferentes.
Para o comprador do segmento, isso sinaliza duas coisas — pressa para vender e desorganização. Ambas depreciam a negociação antes de ela começar.
O custo real de ficar dois anos anunciado
Vale fazer a conta que quase ninguém faz. Um imóvel parado por 24 meses custa:
- Condomínio e IPTU, que em imóveis de alto padrão dificilmente ficam abaixo de alguns milhares de reais por mês;
- Manutenção e conservação, porque imóvel vazio se deteriora mais rápido;
- Custo de oportunidade do capital imobilizado;
- Desgaste do anúncio, o item mais subestimado da lista.
Esse último merece atenção. Um imóvel que circula há dois anos no mercado passa a ser lido pelos corretores da região como “aquele que não vende”. A partir daí, toda proposta que chega já vem descontada — não pelo valor do imóvel, mas pelo tempo de anúncio.
Somando tudo, o custo de dois anos parado costuma superar com folga o ajuste de preço que teria vendido o imóvel no terceiro mês.
Como corrigir
A sequência que funciona é sempre a mesma:
- Avaliação técnica baseada em transações comparáveis, não em pedido de anúncio.
- Documentação resolvida antes de qualquer divulgação.
- Material de venda no nível do imóvel.
- Estratégia de comprador definida antes da primeira visita.
- Revisão a cada 60 dias, com dados de visitas, propostas e comportamento do anúncio.
Imóvel bom com preço certo vende em qualquer ciclo. O que não vende é imóvel bom com preço errado — e a diferença entre os dois quase sempre cabe em uma conversa honesta no começo.
Se o seu imóvel está anunciado há mais de seis meses, vale uma segunda leitura. Fale com a Oliveira & Hatheyer e receba uma avaliação técnica do posicionamento.
Fonte do indicador de tempo médio de venda: Indicadores Imobiliários Nacionais (CBIC/Brain Inteligência Estratégica).





